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Apresentação

Atualizado em 19/11/14 09:21.

Apresentação

O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Fenomenologia terá sempre como coordenador acadêmico um (a) professor (a) doutor (a) da FE/UFG que, ao lado de mais dois (02) membros, não necessariamente vinculados à FE/UFG, podendo ser docente e/ou discente pós-graduação, comporão a Coordenação Acadêmica do mesmo. Esta Coordenação, constituída, portanto, por três (03) pessoas, para um período de dois (02) anos, terá a incumbência de conduzir a programação anual de trabalhos.

O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Fenomenologia emerge como um pólo de discussão dos fundamentos da Fenomenologia e de suas possibilidades heurísticas nas várias áreas do conhecimento, do saber, da educação e da cultura, aberto à comunidade docente e discente da Faculdade de Educação e de outras unidades acadêmicas da UFG, bem como, aos docentes e discentes de graduação e de pós-graduação de outras IES.

A Fenomenologia, desde sua origem, final do século XIX, vem se constituindo num dos principais referenciais teórico-metodológicos da atualidade. A sua influência não está restrita à própria filosofia, mas se faz presente também em todas as áreas do conhecimento. Isso demonstra que essa concepção filosófica está cumprindo o desejo que tinha Edmund Husserl (1859-1938), seu fundador, qual seja, o de renovar a reflexão filosófica e fundamentar epistemologicamente as ciências.

Husserl elaborou as categorias básicas da fenomenologia, a saber: a epoché, a intencionalidade, a atitude natural e fenomenológica, e a redução eidética. Com essa nova orientação filosófica, Husserl pretendia colaborar para a superação da dicotomia entre sujeito e objeto, consciência e mundo, subjetividade e objetividade, idealismo e empirismo. Para Husserl, não há consciência separada do mundo. Toda Consciência é consciência de alguma coisa, é “intencionalidade”; logo, não há separação entre sujeito e objeto, entre o homem e o mundo.

Os filósofos que assumiram a fenomenologia como referencial, tais como Merleau-Ponty, Heidegger, Sartre, Paul Ricouer, Van Breda, Ladriére, Karl Jaspers, Martin Buber, Bachelard, entre outros, trouxeram, por vias diferentes e originais, contribuições relevantes para o alargamento do pensar fenomenológico. Deram-lhe uma orientação existencial, sem, no entanto, se esquecer do rigor e da crítica que o pensar filosófico requer..

A abrangência da fenomenologia, que a faz não ficar restrita à própria filosofia, nos permite falar das suas interfaces, das suas interações com as diversas manifestações do saber sistematizado.

No ano de 2000, durante as aulas da disciplina Fenomenologia e Educação, um grupo de alunos do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da FE-UFG, tendo como coordenador o Prof. Dr. Adão José Peixoto, reuniam-se, semanalmente, em torno dos estudos e da pesquisa dos fundamentos da perspectiva filosófica fenomenológica. Surgiu aí o Grupo de Estudos e Pesquisas em Fenomenologia. O adentramento nos meandros conceituais apresentados por Husserl, Merleau-Ponty e Paul Ricouer davam o mote para que este grupo fosse tomado pelo encanto, pelo rigor, pela perplexidade e pela paixão fenomenológica. Este Grupo se constitui informalmente como Grupo de Estudos e Pesquisas em Fenomenologia, com reuniões mensais.

As infinitas possibilidades proporcionadas pelo viés do método fenomenológico permitiram a construção de um outro mirante para o vislumbre de novos sentidos à pesquisa em educação.

Um resultado prodigioso desse grupo com a fenomenologia foram as defesas, no decorrer dos anos de 2001 e 2002, de cinco dissertações (quatro delas orientadas pelo Prof. Dr. Adão José Peixoto) que tinham como fundamento teórico-metodológico a trajetória fenomenológica: “A hermenêutica crítica de Paul Ricouer: por uma ampliação do conceito de ideologia em educação”, de Roberto Antônio Penêdo do Amaral; “O contraponto entre a perspectiva fenomenológica da arte e a cultura neoliberal”, de Ana Cristina Cezar Sawaya Almeida; “A filosofia na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (nº 9393/96) e na Lei de Diretrizes e Bases do Sistema Educativo do Estado de Goiás (nº 29/98): uma avaliação dos limites, avanços e possibilidades”, de Carlos Cardoso Silva e “Fenomenologia e a ressignificação do trabalho docente”, de Enilda Rodrigues de Almeida Bueno e “O ensino na perspectiva dos Grupos Balint: um espaço de reflexão sobre o encontro do estudante de medicina com o seu paciente”, de Rita Francis Gonzalez y Rodrigues Branco, que teve como orientadora a Profª. Drª Maria Hermínia M. S. Domingues. Em outubro de 2006 Gisela de Souza Almeida Assis defendeu a dissertação A educação especial/inclusiva numa escola de referência da rede estadual de ensino de Goiás: um estudo de caso com o referencial da fenomenologia, no PPGE/FE/UFG, com orientação da Profª Drª Dulce de Almeida Barros, com a participação do Profº Dr. Adão José Peixoto na banca de qualificação e de defesa.

Atualmente existem várias pesquisas, com o referencial da fenomenologia sendo desenvolvidas por membros do NEPEFE nos Programas de Pós-Graduação da UFG e da UCG.

Outro resultado alcançado foi a publicação e lançamento, em 2003, do livro Interações entre Fenomenologia & Educação (Editora Alínea), que se constitui numa coletânea de artigos produzidos como trabalhos finais da disciplina Fenomenologia e Educação conduzida, no ano de 2000, pelo Prof. Dr. Adão José Peixoto, que é também o autor da apresentação e organizador da referida obra. Os textos que compõem o livro são os seguintes: “Fenomenologia: a volta às coisas mesmas”, de Enilda Rodrigues de Almeida Bueno; “Fenomenologia do sentir nas veredas da arte”, de Ana Cristina C. Sawaya Almeida; “A textura do mundo: um ensaio fenomenológico”, de Roberto Antônio Penêdo do Amaral; “O diálogo entre a fenomenologia e a medicina: uma possibilidade na educação médica”, de Rita Francis Gonzáles y Rodrigues Branco; “Prática pedagógica e fenomenologia”, de Enilda Rodrigues de Almeida Bueno “Universitarização da formação de professores e fenomenologia: caminhos opostos?”, de Edna Duarte de Souza e “Fenomenologia e educação”, de Carlos Cardoso Silva.

Ainda em 2003, o Prof. Dr. Adão José Peixoto organizou a obra Concepções sobre fenomenologia (Editora UFG), com textos de filósofos renomados nacional e internacionalmente e que contou com os seguintes textos: “A origem e os fundamentos da fenomenologia: uma breve incursão pelo pensamento de Husserl”, de Adão José Peixoto; “Merleau-Ponty, a sombra da filosofia, a razão e o ser-no-mundo”, de Newton Aquiles Von Zuben; “Hermenêutica: um encontro com Paul Ricouer; “A liberdade em Sartre”, de Ildeu Moreira Coelho; “Heidegger e os fundamentos da fenomenologia”, de Jordino Marques; “Razão hermenêutica e fenomenologia de Gaston Bachelard”, de Constança Marcondes César e “O desvelamento da pessoa encarnada: a contribuição da fenomenologia personalista de Emmanuel Mounier”, de Antônio Joaquim Severino. Atualmente três obras de membros do Nepefe encontram-se no prelo.

No ano de 2004, o grupo de estudo foi significativamente ampliado com a adesão de nomes como do Prof. Dr. Rodolfo Petrelli (UCG), do Prof. Dr. Saturnino Pesquero Ramón ( UCG), e da Profª Ms. Neide da Silva Paiva (Fac. Araguaia), que vieram somar no enriquecimento das discussões e conexões possíveis da fenomenologia e as várias áreas de conhecimento.

Como pode ser observado, pela diversidade de temáticas, há inúmeras e infinitas possibilidades de se trabalhar com a perspectiva fenomenológica, posto que a mesma se abre ao diálogo com todos os fenômenos humanos, restabelecendo, ressignificando e restaurando os seus diversos sentidos.

Para dar continuidade a este profícuo trabalho de estudo e pesquisa realizado por esse grupo de pesquisadores e para abrir possibilidades que outras pessoas estudiosas e pesquisadoras da temática fenomenológica venham, oportunamente, também se juntar ao mesmo, é que estamos propondo a criação do NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM FENOMENOLOGIA (NEPEFE), um Núcleo interinstitucional e interdisciplinar. Interinstitucional porque seus membros são docentes e pesquisadores de diversas instituições de ensino superior. Interdisciplinar porque esses membros são também de diversas áreas do conhecimento.

 

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